O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido como um distúrbio complexo do neurodesenvolvimento de início precoce que compromete a capacidade cognitiva, bem como, as habilidade de comunicação, interação social e aprendizado de crianças, jovens e adultos. Caracterizado principalmente por alterações comportamentais de distanciamento social, problemas de comunicação, realização de movimentos estereotipados, pensamentos abstratos, déficits de processamento emocionais e de contato visual.
Segundo Griese-Oliveira (2017), o fenótipo de indivíduos com TEA pode variar, abrangendo pessoas com deficiência intelectual a indivíduos com capacidades cognitivas normais ou até superiores da média. Apesar dos grandes avanços na área médica e o uso de estratégias terapêuticas para promover o avanço no neurodesenvolvimento e melhorando as habilidades sociais e de comunicação, crianças e jovens autistas ainda sofrem com o isolamento e distanciamento social. Vale ainda ressaltar que um estudo publicado em 2020 na revista Nature, idealizado pelos pesquisador Wydean e colaboradores mostrou que os índices de crianças autistas têm aumentado consideravelmente ao longo dos anos desde a década de 1970.

Imagem: Prevalência de autismo (Wedyan et al., 2020).
Patologia neurológica de difícil diagnóstico, o autismo é somente confirmado a partir da avaliação de médicos e profissionais de saúde especializados, pois a análise baseia-se majoritariamente na avaliação comportamental e cognitiva dos indivíduos. Neste sentido, visando principalmente desenvolver a integração social de crianças autistas no contexto escolar, estudos e pesquisas têm sido realizadas com a finalidade de utilizar tecnologias digitais e aplicativos para promover o engajamento e a interação de autistas em tarefas.
Os aplicativos e dispositivos tecnológicos são uma ferramenta do mundo digital promovido pela indústria 4.0 que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado mundial. Desenvolvidos com distintas finalidades, eles proporcionam essencialmente facilitar, entreter e resolver problemas do cotidiano de milhares de pessoas. Neste cenário, a Realidade Aumentada (RA) é uma tecnologia que integra elementos virtuais (sons, imagens, objetos) com elementos reais causando a impressão de imersão e interação dos indivíduos com objetos digitais desenvolvidos tridisionalmentes por computação gráfica.
Esses dispositivos têm sido utilizados em diversas indústrias com o propósito de oferecer conteúdo interativo de forma dinâmica e eficaz. No contexto pedagógico, estudos científicos mostram que o uso de tecnologias imersivas, tais como, realidade virtual e aumentada favorecem o processo de ensino-aprendizagem por suscitar motivação e engajamento. Quando implementadas de forma assertiva, as aplicações viabilizam e causam progresso no desenvolvimento de crianças autistas. O autor revelou ainda que muito do avanço se deve a capacidade de interação do aplicativo com o autista, utilizando, para tanto, tecnologias como Interface Cérebro Máquina (ICM) e Interface Homem Máquina (IHM).
Imagem: Interação Homem Computador e RA (Wydean, 2020).
Dessa forma, o estudo realizado por Wydean (2020) mostrou os resultados do uso da RA no tratamento e diagnóstico de crianças com autismo. O pesquisador revelou que as aplicações contribuem para o progresso de habilidades sociais, de comunicação, sentimental e de atenção. O modelo RA desenhado pelo grupo de pesquisadores utilizou ainda tecnologias de interface homem máquina para rastrear o movimento e a interação das crianças com os objetos virtuais, mostrando que a tecnologia pode sim contribuir de forma significativa para o diagnóstico e tratamento do autismo.
Por tanto, podemos inferir que as tecnologias disruptivas tem trazido inovação e tem contribuído substancialmente para o tratamento de patologias que comprometem a capacidade neurológica e, por consequente, social dos indivíduos. Elas viabilizam o desenvolvimento de crianças, jovens e adultos que sofrem com quadros incapacitantes e se tornam uma aliada na terapia e diagnóstico de diversas patologias que acometem os indivíduos.
Referências:
GRIESI-OLIVEIRA, Karina; SERTIÉ, Andréa Laurato. Transtornos do espectro autista: um guia atualizado para aconselhamento genético. Einstein (São Paulo), v. 15, n. 2, p. 233-238, 2017.
FILHA, Francidalma Soares Sousa Carvalho et al. O uso de aplicativos digitais no processo ensino-aprendizagem de crianças no espectro do autismo: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 91, n. 29, 2020.
WEDYAN, Mohammad; ADEL, AL-Jumaily; DORGHAM, Osama. The use of augmented reality in the diagnosis and treatment of autistic children: a review and a new system. Multimedia Tools and Applications, p. 1-47, 2020.
Azuma R, Baillot Y, Behringer R, Feiner S, Julier S, MacIntyre B (2001) Recent advances in augmented reality. IEEE Comput Graphics Appl 21(6):34–47 11.
Azuma RT (1997) A survey of augmented reality. Presence: Teleoperators & Virtual Environments 6(4):355–385 12. Bai Z (2012)
Augmenting imagination for children with autism. In: Proceedings of the 11th international conference on interaction design and children, June 12-15. ACM, Bremen, pp 327–330
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