A imunologia é o estudo do sistema imunitário que abrange todos os sistemas. Já a neuroimunologia é o estudo desses aspectos restritos ao sistema nervoso. Sabemos que o nosso sistema imune é o responsável pela defesa do nosso organismo contra eventos injúria tecidual ou invasão microorganismos e corpos estranhos. Para isso, células do nosso sistema imune utilizam ferramentas como sinalização celular, inflamação, destruição de organismos estranhos (facocitose), cicatrização, entre outras funções que garantam a integridade homeostasia global. Dessa forma, por essa importante função, a falha desse sistema imune se torna um fator patológico intimamente relacionado com muitas doenças neurodegenerativas como Doença de Parkinson e Alzheimer por exemplo. Porém, quando falamos de sistema nervoso, as células do sistema imune pode desempenhar outros tipos de funções relacionadas a potencialização do estado cognitivo e bem estar.
As células que estão envolvidas nesse processo são as células da glia, destacam-se as micróglias e os astrócitos. As micróglias são macrófagos residentes no sistema nervoso central e são altamente sensíveis a mínimas perturbações fisiológicas, sendo as principais células envolvidas na manutenção da homeostasia tecidual cerebral. Elas se encontram em estágio de latência não ativadas em uma situação fisiológica homeostásica, porém são ativadas após a presença algum mecanismo agressor decorrente de uma lesão induzida por algum tipo de estresse tecidual ou corpo estranho. Nesse processo de ativação microglial, ocorre a mudança de morfologia ramificada para morfologia amebóide. As micróglias ainda podem ser classificadas como M1(micróglias pró-inflamatórias) ou micróglias M2 (micróglias anti-inflamatórias). Já os astrócitos são outros tipos de células gliais com morfologia em forma de astro em seu estágio não ativado , diminuindo seus prolongamentos após ativação. Assim como as micróglias, os astrócitos também possuem importante função de defesa, participando ativamente do processo de cicatrização glial após lesão do tecido. Além disso, o astrócito também possui um papel de regulação da concentração de diversas substâncias com potencial para interferir nas funções neuronais normais, participando ativamente do processo de nutrição neuronal. Apesar da importância dessas células de defesa para o sistema nervoso, sabemos que sua atividade exacerbada pode gerar uma perturbação aguda ou crônica na homeostasia local, podendo até mesmo causar morte neuronal por neurotoxicidade a partir da liberação exacerbada de fatores pró-inflamatórios por exemplo. Isso pode gerar desequilíbrio cognitivo e de funções cerebrais, e se for ocasionado de forma crônica, pode ocasionar doenças neurodegenerativas.
Dessa forma, alguns métodos podem ser utilizados para o controle dessas células visando o restabelecimento do equilíbrio cerebral cognitivo. Um exemplo disso é a estimulação elétrica cerebral profunda através do implante microeletrodos. Muitos trabalhos mostram a diminuição/controle da ativação microglial e astrocitária, além de promover a neurogênese e neuroplasticidade, além estimular padrões eletrofisiológicos (Potencial de campo local) pró-cognitivos, como a memória e atenção. Outros tipos de eletroestimulação também se mostram eficazes contra efeitos deletérios fisiológicos causados por de microrganismos infecciosos, como é caso da neuromodulação não invasiva que se demonstrou eficaz no controle da inflamação e disfunção orgânica relacionada em COVID-19. Outros métodos alternativos também destacam-se por sua atuação sobre a imunidade do sistema nervoso, como é o caso da meditação. Trabalhos mostram que a meditação reduz a atividade do NF-κB que é um complexo proteico relacionado a atividade exacerbada microglial, além de também influenciar a atividade de outras células imunológicas periféricas como é o caso dos leucócitos.
Sabendo de tudo isso, é imprescindível a realização de mais trabalhos relacionados com imunidade do sistema nervoso e técnicas como meditação e neuromodulação associados a investigação de células inflamatórias e padrões cerebrais eletrofisiológicos (EEG) e principalmente hemodinâmicos (NIRS), já que o processo de inflamação glial está intimamente relacionado com o fluxo sanguíneo cerebral.
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Referências:
Nutma, E., et al. "Neuroimmunology–the past, present and future." Clinical & Experimental Immunology 197.3 (2019): 278-293.
Fudim, Marat, et al. "Implications for Neuromodulation Therapy to Control Inflammation and Related Organ Dysfunction in COVID-19." Journal of Cardiovascular Translational Research (2020): 1.
Kurth, Florian, Nicolas Cherbuin, and Eileen Luders. "Promising links between meditation and reduced (brain) aging: an attempt to bridge some gaps between the alleged fountain of youth and the youth of the field." Frontiers in psychology 8 (2017): 860.
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