
Quem disse que o papel dos jogos na vida das crianças era apenas para distração e diversão? A Era virtual iniciou e as crianças da geração Alpha, aquelas nascidas a partir do ano 2010, e as primeiras a estarem em uma era 100% digital e conectadas, estão cada vez mais adaptadas a brincadeiras associadas à dispositivos tecnológicos. Estas, antes mesmo de aprender a usar livros, papel, lápis coloridos e brinquedos físicos, já possuem todo um universo na ponta dos dedos ao tocar os celulares e tablets.
Apesar de muitas controvérsias a respeito do uso de tecnologias como videogames, celulares e tablets no dia a dia das crianças. A Universidade de Oxford, uma das mais renomadas mundialmente, em um estudo inovador publicado na revista Pediatrics pelo pesquisador Dr Andrew Przybylski. Afirma que a utilização do videogame diariamente por até 1 hora, pode não apenas garantir a diversão da criançada, mas também, contribui para a melhoria da saúde de crianças e adolescentes.
O estudo mostra que os videogames podem ajudar nos aspectos cognitivos das crianças, tornando-as mais sociáveis e menos hiperativas. Para a realização da pesquisa foi utilizado 5000 crianças na faixa etária entre 10 a 15 anos, sendo 50% do sexo masculino e 50% do sexo feminino. Os resultados mostraram que o grupo que passava mais tempo nos jogos eletrônicos, superior a 1 hora diária, apresentavam maiores problemas relacionados a relação social com outras crianças e maiores problemas emocionais. A pesquisa levanta a hipótese de que os problemas relacionados a socialização e emocionais podem ter relação com o tempo que as crianças deixam de estar em contato com outras crianças e outros tipos de brincadeiras. Bem como, em muitos casos, essas crianças acabam tendo acesso a conteúdos inadequados, relacionados ao público adulto.
Por sua vez, o grupo de crianças que passam menos de 1 hora diária nos jogos eletrônicos mostraram ser menos hiperativas, mais sociáveis e apresentam menos problemas relacionados a fatores emocionais. Uma vez que, estas não apenas estão relacionadas a gamificação nos jogos eletrônicos, como também, grande parte do tempo estão em contato com outras pessoas, crianças e abertas a outros tipos de entretenimento.
Os jogos por muito tempo foram desenvolvidos apenas com a finalidade de promover o entretenimento e diversão de crianças, jovens e até mesmo adultos. Entretanto, com o surgimento da realidade virtual, aumentada e gamificação, os games tornaram-se importantes na área da saúde para reabilitação de pacientes com autismo, Parkinson, Alzheimer, fobias, bem como, tem sido amplamente utilizado no contexto educacional para melhorar o aprendizado tornando-a mais imersiva e interativa, garantindo uma melhora no sistema de ensino-aprendizagem.
Dessa maneira, é necessário o incentivo da aplicação de design de jogos cada vez mais adaptados não apenas para garantir a diversão, mas também, em seu contexto principal apresente conceitos sobre formação do indivíduo, condutas ética e morais, relação do homem com a natureza, respeito entre as diferenças e outros aspectos importantes para a construção de uma sociedade cada vez mais pacífica e respeitosa.
Referência:
[1] Andrew K. Przybylski. Electronic Gaming and Psychosocial Adjustment. Pediatrics Official Journal of the American Academy of Pediatrics, 2014.
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