Se você está andando e percebe que vai ser assaltado, o seu coração começa a acelerar. Você sente medo de ser assaltado ou tem medo porque seu coração bateu mais forte?

Existe uma diferença entre emoção e sentimentos. A primeira está associada a um programa de ações que não depende da mente, que acontece nos músculos, coração, reações endócrinas. Já os sentimentos, tem por definição ser uma experiência mental do que se passa no corpo... é como se fosse um mundo, que segue a emoção [1]. Dando um exemplo, quando ocorre um estímulo que desencadeou a emoção, existem diversas reações no corpo que são visíveis a olho nu, através da face, pele, movimentos, etc. Por outro lado, posso estar com um sentimento de tristeza e disfarçar como alegre, visto que a tristeza se passa na mente e não pode ser vista.
Jake Panksepp introduziu a neurociência afetiva, que diz respeito as bases neurais dos processos emocionais e sociais, e dividiu as emoções em primárias (básicas) e as secundárias (sociais). A primeira deve ser encontrada em todos os mamíferos, representa funções adaptativas de acordo com ameaças e desafios da vida e acompanha comportamentos padrões: todos nós sabemos o que significa um choro, um sorriso, uma fuga... a mente se comunica através da linguagem corporal! Mais interessante ainda, é que apresentamos uma localização do cérebro que pode ser estimulada eletricamente e induzir a produção e liberação de substâncias químicas: neuropeptídios, neurotransmissores e hormônios.

Existem 7 emoções que são primordiais (figura), como pode ser descrito na tabela abaixo. Elas podem ser de recompensa (em laranja) ou de evitação (azul). O nosso cérebro se adapta de acordo com as situações e visa sempre o bem-estar e a proteção e essas emoções servem para regular o nosso organismo de acordo com o ambiente. Descrevendo um pouco essas emoções, nós conseguimos entender melhor o nosso comportamental.

Através dessa base da neurociência, é possível ver a importância das emoções e sentimentos para o ser humano. Estas, são portas de entrada para o nosso corpo, também para situações positivas como para situações negativas. Esta relação, por exemplo, pode ser vista na figura abaixo, que é resultado de um estudo que comprova a interação do corpo com a mente. Quando apresentamos alguma alteração psicológica, como a ansiedade e emoção, podemos desenvolver dermatoses por alterações comportamentais causadas pela influência das emoções na atividade cerebral.

AS emoções são complexas de serem medidas! Elas modificam de acordo com o gênero, idade, ambiente, etc. Uma das formas de fazer isso pode ser através de um sistema combinado, que envolve o NIRS com a realidade virtual. A primeira serve para detectar a ativação funcional do cerebral, onde analisamos o aumento no consumo de oxigênio à ativação neuronal e, em seguida, o aumento do fluxo sanguíneo. Já a realidade virtual vai permitir nos colocar em um ambiente dinâmico, onde podemos ter acesso as nossas emoções básicas. Com esse sistema, se torna possível estudar as emoções e seus efeitos sobre os seres humanos pela análise do sistema nervoso central e sistema nervoso autônomo. Fica a dica, para quem tem interesse...você pode desenvolver trabalhos muito legais! Para isso, existem diversos equipamentos de NIRS muito interessante para o desenvolvimento de projetos.
Todos nós sabemos da importância das emoções e como esta influencia em nossas vidas! Mas, por essa mesma questão, cabe a nós refletirmos sobre a importância que damos para a nossa mente. As emoções são porta de entradas para experiências positivas e negativas e, durante a nossa vida, devemos analisar se contribuímos buscando sensações boas e, também, contribuímos em emoções positivas na vida das pessoas!
Referências
Panksepp, J., & Biven, L. (2012). The Archaeology of mind: neuroevolutionary origins of human emotion. New York: W. W. Norton & Company.
J. Marın-Morales, J. L. Higuera-Trujillo, A. Greco, J. Guixeres, C. Llinares, E. P. Scilingo,M. Alcañiz, and G. Valenza, “Affective computing in virtual reality: Emotion recognitionfrom brain and heartbeat dynamics using wearable sensors”, Scientific reports, vol. 8, no. 1,p. 13 657, 2018.
D. Colombo, J. Fernández-Álvarez, A. G. Palacios, P. Cipresso, C. Botella, and G. Riva,“New technologies for the understanding, assessment, and intervention of emotion regula-tion”, 2019
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