Neurocomunicação como aliada à prevenção do suicídio

Thursday, 01 de October de 2020
A cada 40 segundos, uma pessoa no mundo comete suicídio, segundo dados de 2019 da Organização das Nações Unidas. Segundo a organização, suicídios são evitáveis e os principais meios de prevenção são a restrição de acesso aos métodos mais comuns de suicídio, educação da mídia em relação às suas responsabilidades, programas de desenvolvimento de capacidades voltados aos jovens e a identificação precoce e acompanhamento de pessoas em risco. Nesse cenário, onde entra a neurologia? 





A neurocomunicação é a interdisciplinaridade entre neurologia e comunicação. É um campo que tem crescido muito nos últimos anos, principalmente em razão do desenvolvimento de técnicas não invasivas de imagem do sistema nervoso e têm focado nos níveis de análise cognitivos e comportamentais. O EEG abre muitas possibilidades para estudo e aplicação na área da comunicação, como, por exemplo, o controle de interfaces digitais por pensamento e a investigação de como a comunicação ocorre em diferentes estados de inconsciência. Tecnologias de fMRI tornam possível a realização de “dicionários de pensamentos”, no qual cada objeto possui uma correspondência para uma imagem de fMRI. Estudos sobre como recebemos informações, as assimilamos e nos comunicamos pode ser muito útil à prevenção do suicídio
 
A mídia possui um papel de destaque em nossa sociedade, como meio de comunicação e formadora de opinião. Além da mídia tradicional, estamos conectados o tempo inteiro através de redes sociais, o que acelera consideravelmente a velocidade que nos comunicamos e recebemos estímulos. Nesse sentido, redes sociais podem ser uma via de mão dupla quando se trata de suicídio. O anonimato incentiva a expressão de ideias e pensamentos que não seriam expressos em outros ambientes, o que pode ser um gatilho mental para pessoas vulneráveis. 
 
Abordar o assunto de maneira empática, responsável, informativa e seguindo os protocolos da OMS para profissionais da mídia é uma maneira eficaz de atuar pela prevenção ao suicídio. A neurocomunicação pode ser uma grande aliada nessa tarefa, utilizando ferramentas de inteligência artificial para alcançar pessoas vulneráveis através das redes sociais e informá-las, de maneira mais efetiva,  sobre a importância do cuidado com a saúde mental e  incentivá-las a procurar ajuda profissional. No Brasil, desde 2014 temos a campanha Setembro Amarelo, organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina - CFM, que tem como objetivo prevenir e reduzir o número de suicídios no país. Caso você, alguém da sua família ou convívio social esteja apresentando sintomas de depressão, procure ajuda profissional. Juntos somos mais fortes! 




REFERÊNCIAS

Jiménez, Antonio. (2020). Neurocommunication as a strategy to prevent suicide in young people. IROCAMM-International Review Of Communication And Marketing Mix. 2. 36-43. 10.12795/IROCAMM.2020.v02.i03.03. 

Pereira, Everaldo. (2018). Perspectiva da neurociência em comunicação. Estudos em Comunicação. 1. 39-51. 10.20287/ec.n27.v1.a03. 

Prevenção do Suicídio: Um Manual para Profissionais da Mídia. Organização Mundial da Saúde. Departamento de Saúde Mental - Transportos Mentais e Comportamentais. Genebra, 2000. 

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Autor:

Brida Mayi Sarpa Sousa

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