Mind Wandering - Divagação da mente

Monday, 14 de September de 2020


Uma das descobertas mais importantes da Neurociência na última década foi o estudo dos mecanismos neurais de como a mente divaga – MW, do inglês Mind Wandering. Neste blog vamos entender mais do que seria a MW e qual sua importância.
 
 



A neurofenomenologia do MW classicamente têm apontado esse estado cognitivo como prejudicial em tarefas que requerem atenção seletiva, interpretação de textos e memória; devido o MW ser dependente de um grupo de áreas do cérebro (lobo frontal, principalmente) que envolvem córtex pré-frontal medial, cingulado posterior e córtex temporoparietal. 
 
Porém, estudos recentes de neuroimagem em humanos têm mostrado que o MW desempenha papel crucial na formação da autobiografia de um indivíduo e na resolução criativa de problemas diversos. O mais intrigante é que a rede formada pelas áreas citadas está bastante ativa no MW quando o indivíduo não tem ideia de que sua mente está divagando. 
 
Assim, o MW parece ser aquele momento necessário para que uma nova ideia seja incubada, um tempo importante para a reorganização de circuitos neurais subjacentes à automatização de rotinas. As regiões reveladas pelos exames de neuroimagem como ativas durante a divagação da mente (lobo frontal, principalmente) são consideradas fundamentais para manter a pessoa focada numa tarefa. 
 
Os exames mostram que, em ambos os casos, mente focada e mente divagando, tais regiões estão ativadas. Cientistas cognitivos veem a mente divagadora como o modo-padrão do cérebro – onde ele vai quando não está trabalhando em alguma tarefa mental. Uma mente à deriva permite que sua essência criativa flua e os insights aconteçam. 
 
Entre as outras funções positivas da divagação da mente estão a geração de cenários para o futuro, a autorreflexão, a capacidade de se relacionar em um mundo social complexo, a incubação de ideias criativas, a flexibilidade do foco, a ponderação do que se está aprendendo, a organização das lembranças ou a mera meditação sobre a vida – e também a possibilidade de dar aos circuitos de foco mais intensos uma pausa revigorante. 
 
Em momentos criativos, pouco antes de um insight, o cérebro costuma descansar em um foco aberto e relaxado, caracterizado por um ritmo alfa (que pode ser registrado a partir de EEG - Eletroencefalograma). Isso sinaliza um estado de devaneio ou sonho acordado. Como o cérebro armazena diferentes tipos de informações em circuitos de amplo alcance, uma consciência vagando livremente aumenta as chances de novas combinações e associações em serendipidade (fazer descobertas por obra do acaso e sagacidade, de coisas pelas quais não se está procurando). 
 
A consciência aberta cria uma plataforma mental para descobertas criativas e insights inesperados. A serendipidade vem primeiro com a abertura da possibilidade e, depois, com a concentração em aplicar um insight. Quando um momento imaginário ganha vida na mente, o cérebro quase certamente gera um pico gama.
 
Referências
 
CHRISTOFF, Kalina et al. Mind-wandering as spontaneous thought: a dynamic framework. Nature Reviews Neuroscience, v. 17, n. 11, p. 718-731, 2016.
 
DA SILVA, Alva Benfica; GOULART, Iris Barbosa. Contribuições da Neurociência para a gestão de pessoas. Opción, v. 31, n. 1, p. 113-133, 2015.
 

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Autor:

Beatriz Carvalho Frota

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