Identificando a depressão com a ajuda do EEG

Sunday, 21 de February de 2021
A depressão é uma doença que figura entre as principais causas de invalidez funcional. Ela caracteriza-se por uma síndrome neurológica que causa diferentes consequências cognitivas e comportamentais, como mudanças no sono, apetite e libido. A depressão, em seus diferentes graus, pode levar a sintomas que vão desde a perda de autoconfiança, sensação de culpa até, nos casos mais graves, em suicídio.

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Atualmente, os meios mais usados para diagnóstico de depressão são questionários, sendo o mais popular o Beck Depression Inventory – II (BDI – II). Além disso, métodos que se baseiam em análises da atividade cerebral têm sido estudados também. Esses estudos sugerem que os padrões de atividade do cérebro de pessoas com depressão difere em diferentes graus do cérebro de pessoas saudáveis. Uma hipótese bastante levantada é a de que a depressão se relaciona a interações funcionais desreguladas entre diferentes áreas do cérebro. Nesse sentido, um estudo conduzido por cientistas iranianos buscou investigar a diferença na conectividade funcional e complexidade dos sinais de EEG no estado de repouso entre quatro grupos de pessoas depressivas não medicadas, apresentando casos mínimos, leves, moderados e severos. Para isso, o estudo adquiriu dados a partir de monitoramento por Eletroencefalograma e buscou prever o resultado do teste BDI a partir desses dados.
Em várias frequências do EEG, os pesquisadores observaram uma conectividade significativamente reduzida nos pacientes deprimidos em oposição ao grupo de pacientes saudáveis. Além disso, foi observada uma correlação positiva entre a complexidade do sinal do EEG e a severidade da depressão nos pacientes. De modo geral, os resultados obtidos não contradizem o que já existia previamente na literatura.
Como um primeiro estudo no sentido de estimar a severidade da depressão, de acordo com a pontuação do teste BDI, a partir de dados de EEG sobre conectividade e complexidade do sinal, o trabalho mostra que pode ser possível, no futuro, desenvolver novos métodos que possam identificar pacientes com quadros de depressão de forma bastante acurada. Essas novas possibilidades se mostram bastante interessantes, especialmente se levarmos em conta que a depressão pode muitas vezes ser uma doença difícil de lidar para o paciente, com uma aceitação bastante complicada. Antecipar a identificação e o tratamento pode, em alguns casos, desviar de modo positivo o desfecho de uma das doenças que mais impactam a sociedade moderna.

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Autor:

Alan Henrique

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