A surdez neurossensorial na criança

Wednesday, 30 de March de 2022

A surdez neurossensorial na criança


A surdez é uma das áreas da otorrinolaringologia que tem observado uma maior evolução, quer no campo do diagnóstico – com novas práticas e tecnologias – quer no tratamento – com novas técnicas de reabilitação e adaptação protésica. O Serviço de Otorrinolaringologia ( ORL ) do Centro Hospitalar de Coimbra ( CHC ) dedica - se desde há décadas à reabilitação auditiva, tendo realizado em 1985 o primeiro procedimento de implantação coclear em Portugal. Dentro da reabilitação da linguagem verbal oral, uma área que coloca constantes desafios à equipa do CHC é a das crianças com surdez pré - lingual, ou seja, cuja surdez tenha surgido antes da aquisição das bases da linguagem oral ( antes dos 2 anos de idade ). A ausência de audição nestes primeiros anos tem efeitos dramáticos sobre o desenvolvimento cognitivo, afectivo, comunicativo, linguístico e social da criança. É de extrema importância a recepção de um estímulo auditivo adequado para que se desenvolvam as áreas corticais auditivas e a normal evolução da linguagem.

Para a criança se tornar linguisticamente competente é necessário que esteja exposta a estímulos linguísticos o mais precocemente possível. Também em Portugal se tem observado um esforço gradual na aplicação deste rastreio, embora ainda com insuficiências e desajustamentos de cobertura e aplicação. A idade de instalação e a etiologia duma surdez profunda é um factor fundamental no prognóstico da linguagem na criança. A surdez congénita pode ser dividida entre genética ( 50 - 70% ), sendo 30% sindrómica e 70% não sindrómica, e adquirida ( 30 - 50% ). São eles os sinais de atraso da linguagem, como a ausência de galrear entre os 6 - 9 meses, a ausência de resposta a ordens simples ou ao nome aos 12 meses, a ausência de palavras ( mamã, papá ) aos 18 meses, a ausência de palavras - frases ( dá cá, já está ) aos 2 anos, a persistência de deformação de certas palavras aos 4 anos.

A avaliação das competências comunicativas pré - verbais assume a maior importância na avaliação de crianças muito pequenas e constitui - se como um aspecto fundamental na documentação do progresso. Alguns dos instrumentos de avaliação que podem ser utilizados na monitorização de crianças com défice auditivo são : MAIS ( Escala de Integração Auditiva ), MUSS ( Escala de Utilização da Fala ), EARS, LittlEars, TPP ( Teste de Percepção da Palavra ), Teste dos sons de Ling, CAP ( Categorias da Performance Auditiva ) e SIR ( Avaliação da Inteligibilidade do Discurso ). A avaliação inicial, antes da implementação de um Programa de Reabilitação adaptado a determinada criança com surdez neurossensorial, é realizada por uma terapeuta da fala com experiência nesta avaliação e que irá manter a monitorização da criança durante todo o processo de reabilitação.

 Doenças associadas

Existem algumas doenças como o Autismo, cujo diagnóstico diferencial precoce com surdez pode ser muito difícil. Podem ser necessárias várias avaliações espaçadas no tempo. As principais fontes de erro prendem - se com a percepção das vibrações sonoras, percepção visual ( movimentos do examinador, leitura labial ) e falta de colaboração da criança.

Avaliação linguística

É fundamental comparar o desempenho de cada criança com o desempenho espectável para o seu grupo etário em termos de desenvolvimento da linguagem, tanto a nível da compreensão como da expressão. Tanto factores intrínsecos ( audição, processamento, neuroplasticidade ) como extrínsecos ( estimulação recebida no contexto e influências sociais e culturais ) influenciam o desenvolvimento da linguagem falada. Existem alguns sinais indirectos que nos fazem suspeitar de uma perda auditiva:•Utilização de uma altura tonal ( pitch ) elevada ou com variações desadequadas ; •Vocabulário reduzido para a idade da criança.

A adaptação bilateral apresenta várias vantagens como a melhor localização do som, a ausência do efeito sombra da cabeça, melhor discriminação, efeito somatório e conservação das vias e centros auditivos em ambos os hemisférios cerebrais. •Objectivo principal : que a curva audiométrica se assemelhe o mais possível ao normal e permitir uma boa inteligibilidade da palavra falada.

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Autor:

Beatriz Carvalho Frota

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