Neuromitos

Saturday, 29 de May de 2021

Todo mundo em algum momento da vida já escutou aquela história de que um lado do cérebro comanda as nossas emoções, e o outro a nossa razão. E por vezes, ainda diziam que quem tinha o lado esquerdo mais forte comandando, era alguém mais racional, enquanto quem tem o lado direito dominante era uma pessoa mais passional e emocional. 

 

E aí? É verdade ou mentira? 

 

É mito. O nosso lado direito não cuida da emoção, na mesma proporção que o hemisfério esquerdo também não é sozinho responsável por trazer nossos pensamentos racionais a tona. 

Por muitos e muitos anos o cérebro era visto e até estudado dessa maneira. O lardo esquerdo foi altamente relacionado com essas atividades mais precisas e exatas e o hemisfério direito era ligado a coisas com criatividade, emoção, imaginação… Mas como eu disse no início: é mito! Não é bem assim que as coisas funcionam na prática.

 

Hoje em dia já temos várias pessoas que podem exemplificar isso de maneira nítida. Temos indivíduos que removeram um lado do cérebro por determinada condição, como para prevenir quadros de doenças autoimunes, por exemplo, e continuam com todas as suas funções normalmente. Ninguém perdeu a razão ou a emoção removendo um lado do cérebro. É possível ter apenas um lado e ainda assim ser um sujeito capaz de raciocinar e ter emoções ao mesmo tempo! O que eu quero dizer é que, no fim das contas, não existe uma divisão absoluta de atividades entre os dois hemisférios do nosso cérebro

 

O outro mito que muita gente ainda acredita é sobre a atividade cerebral. Utilizamos apenas 10% do nosso cérebro? Isso é pura mentira. Utilizamos grande parte do nosso cérebro, e isso é comprovado porque muitas vezes em apenas uma lesão minúscula no encéfalo, pode afetar diversas áreas e até danos irreversíveis. 

 

A origem desse mito ainda não foi muito clara, alguns relatos dizem que veio d a ideia de quem defende atividades daquilo que vai além do físico, e acreditam que quem utiliza 100% do cérebro são pessoas “paranormais”. 

 

Existe também  um outro lado que explica que a origem desse mito se deu por mal-entendidos ou leituras equivocadas em resultados de pesquisas científicas antigas. Em uma dessas pesquisas, temos o exemplo de Lashley, que identificou algumas regiões do cérebro que a estimulação e lesão não produzia efeitos (e aí foi considerado que não teriam função). 

 

No fim das contas, o nosso cérebro é incrível e é de, fato, uma caixa de surpresas, mesmo que tenham sido feitas inúmeras pesquisas e descobertas para desmistificar essas ideias. Como dito por Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro: “a atividade neuronal trata apenas de probabilidade. Não são sempre os mesmos neurônios produzindo sempre a mesma ação”.

 

REFERÊNCIAS

 

Referências:Brum, I., Garcia, A., Carpes, P. B. M., & da Silva Vargas, L. (2016). O QUE VOCÊ SABE SOBRE SEU CÉREBRO É VERDADE? ESCLARECENDO NEUROMITOS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, 8(3).

 

Lopes FM, Dias NM, Mendonça BTV, Coelho DMV, Andrade ALM, Micheli D. O que sabemos sobre neurociências? Conceitos e equívocos entre o público geral e entre educadores. Rev. Psicopedagogia 2020;37(113):129-143



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Autor:

Flávia Freire Carneiro

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